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  • Francislene Lira

Era uma vez...

Era uma vez...



O silêncio, a escuridão e o impossível se encontraram para uma festa dentro de mim e me levaram a uma daquelas festas que eu chamo de caos e me sinto perdida no meio do meu nada interior.


Sem chão, sem teto, sem paredes, sem portas ou janelas.

O caos me deixa em estado de dúvida, nunca sei se me desespero pela falta de controle de tudo ou se me sinto feliz por entender que é o princípio.


É por esse caminho que vou pegar sua mão e te convidar a organizar esse meu caos.


Amo pensar que tudo que se cria, constrói ou organiza nasce de um nada apavorador.


Aliás, isso é estar na barriga da mãe.

A escuridão, o silêncio e o nada. Nascemos e nascer significa ganhar a vida para o mundo, a natividade, o nascimento, o natal, o princípio da vida ou de ser criado para um mundo que percebe com os sentidos.


Isso significa que cada vez que pareço perdida, na verdade estou renascendo.


Eita!! Lenbrei de um velho místico polonês do século 17 que me ensinou que:


“Na noite silenciosa uma criança nasceu para Deus,

E o que estava perdido voltou a renascer.

A tua alma, ó homem, poderia tornar-se uma silenciosa noite

Deus nasceria em ti e tudo se faria novo”.


Angelus Silesius. esse monge, me ensinou que cada momento desses se torna um natal ou um re-natal, um convite para se passar a limpo e se ser melhor.


É como tomar sorvete pela primeira vez, pôr os pés no mar e sentir a espuma , sem ter sabão, andar de bicicleta sem cair, passar o dedo no interruptor e fazer aparecer um pequeno sol ou ouvir uma música no rádio sem saber como aquele som foi parar alí.


Coisas que um dia pareceram tão impossíveis e tão mágicas como a invenção que fez Reginald, um carinha canadense que parecia ser louco, até o dia de natal em que pela primeira vez ele transmitiu uma música sem precisar de fios e fez desaparecer a distância entre alguém e quem estava cantando.


Pois é. Muitos duvidavam do seu sucesso. Mas, mesmo assim, ele não desistiu, e em 24 de dezembro de 1906, tornou-se a primeira pessoa a tocar música no rádio. E adivinha qual foi a música?


- Noite feliz, noite feliz!!!

- Oh Senhor!!! ...etc e tal

... e pessoas na cidade, no campo, no mar, no escuro daquela noite não sabiam de onde vinha aquela música que chegava a seus rádios como um presente sonoro imperceptível nascido do nada, da escuridão, do silêncio, do caos.


Parei. E resolvi te convidar para aproveitar esses tempos tão improváveis, difíceis, caóticos e escutar o silêncio por um instante, enxergar na escuridão de uma noite de uma estrela que surgirá, sentir a onda que te trará a música de sua paz interior e nascer hoje juntos na mais profunda paz...


Feliz Natividade, seja qual for sua manjedoura.




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